O Futuro da Empresa

02/12/2014 17:05

O Futuro da Empresa

O homem por si só é um ser com grande dificuldade em aceitar mudanças, em romper com os paradigmas, em adotar novas posturas diante da realidade em constante transformação. Alterar ostatus quo e sair da zona de conforto muitas vezes é doloroso, mas sempre causa impactos no modo de ser, pensar e fazer as coisas.

Semelhantemente, as empresas adotam novas medidas que causam impactos na vida de seus colaboradores, concorrentes e stakeholders em geral. Adquirir uma nova tecnologia pode demandar recursos de tempo até que todos os funcionários de uma organização se adaptem à nova maneira de trabalhar, ou pode permitir à empresa fornecer produtos e serviços de melhor qualidade, atraindo novos clientes e obrigando seus concorrentes a também se adaptar.

Mas para construir o futuro da empresa ou a empresa do futuro não basta apenas romper com os paradigmas, mas também produzir uma nova cultura organizacional e repensar os processos e a maneira de executar a gestão empresarial, além de adotar novas estratégias para a prospecção de novos mercados.

Atualmente, muitas empresas já permitem que os funcionários trabalhem em casa ou de casa, como algumas operadoras de telemarketing que montam uma posição de atendimento na residência do colaborador, eliminando o deslocamento até a empresa.

Outras empresas exploram o capital intelectual de dentro e de fora da organização, realizando concursos na internet com o objetivo de premiar as idéias que servem de soluções para grandes problemas.

Não porventura, muitos tipos de profissionais, como os publicitários, por exemplo, dificilmente se prendem às rotinas diárias e burocráticas de bater o ponto e trabalhar oito horas por dia com pausa para o almoço, pois, muitas vezes, os lampejos brilhantes de idéias que se transformam em magníficas campanhas ocorrem em momentos distantes da rotina diária e em lugares os mais distintos.

Algumas corporações não exigem que um especialista em software trabalhe durante oito horas todos os dias, batendo o ponto e respeitando os intervalos do almoço, mas permite que ele trabalhe em casa ou em qualquer outro lugar desde que apresente o resultado de seu trabalho como um novo programa de computador dentro de um prazo estipulado.

Quem sabe no futuro as empresas permitam que os colaboradores trabalhem diretamente de casa e as relações trabalhistas transformem-se em relações contratuais, onde o trabalhador deixa de ser funcionário e se torna um fornecedor de mão-de-obra, serviços e capital intelectual.

Desta forma o trabalhador não se prenderia a somente um contrato de trabalho, mas teria o direito de fornecer as suas qualidades para várias empresas ao mesmo tempo, possuindo mais de uma fonte de remuneração. Este trabalhador se tornaria um prestador de serviços e utilizaria a mais valiosa ferramenta do homem: o intelecto, transformando-se naquilo que Peter Drucker defendia: “o trabalhador do conhecimento”.

Mesmo hoje, as empresas precisam explorar o capital intelectual, precisam de fontes diversas de conhecimento, precisam de um trabalhador que pense e tome decisões que minimize riscos e potencialize os resultados.

E isso é o mais importante: o resultado. Muito mais importante que as rotinas burocráticas, o resultado é o mais importante e quanto maior a liberdade conferida ao trabalhador para efetuar as suas atividades, maior o seu grau de satisfação, pois ele encontra a realização pessoal no seu trabalho.

Assim, resultados esperados podem se transformar em resultados surpreendentes, enquanto que a remuneração não se baseará em horas trabalhadas, mas nos resultados apresentados e o tempo do trabalhador será respeitado tanto quanto o tempo da empresa.

As empresas não se tornarão um acumulado de pessoas, processos e materiais, nem numa arquitetura gigantesca de estrutura física, mas um centro de informação, conhecimento e inteligência competitiva de mercado.

Mesmo nas empresas industriais o acúmulo de pessoas diminuirá, pois os processos de produção serão executados por máquinas que podem ser operadas à distância por meio da tecnologia e programas informatizados.

Homem e empresa: separados fisicamente, mas unidos pela tecnologia. O relacionamento interpessoal será facilitado pela internet e se intensificará cada vez mais no ambiente virtual, principalmente por meio das redes sociais.

As relações comerciais também se desenvolverão com maior intensidade no ambiente virtual através da internet, onde o cliente comprará diretamente da empresa, eliminando os intermediários e reduzindo os custos de aquisição. O e-commerce e os serviços de delivery serão mais intensos.

O públicoalvo da empresa se converterá em um único cliente que não precisará se locomover até o ponto-de-venda e terá o seu atendimento customizado. Isso quer dizer que a empresa não pensará mais em um públicoalvo ou num conjunto de clientes com características semelhantes, mas será necessário customizar o atendimento e o relacionamento com cada cliente em particular de modo a oferecer produtos e serviços cada vez mais personalizados. Não se pensará mais em CRM e sim em“Personal e-CRM”.

Além disso, a empresa não se limitará geograficamente nem atenderá clientes limitados pela geografia, mas a internet e a globalização serão cada vez mais responsáveis por inserir as empresas, incluindo os pequenos negócios, no contexto mundial.

No futuro, a empresa será mais inclusiva e desenvolverá responsabilidade social e ambiental perante a comunidade, atendendo às demandas e desafios sociais. Talvez cada nação desenvolva a sua própria legislação em torno disso e haja uma legislação internacional nesse sentido.

Enfim, mudanças ocorrerão, antigos paradigmas cairão e novos serão estabelecidos, a empresa do futuro se adaptará cada vez mais às mudanças sociais com o uso frequente do conhecimento e da tecnologia, mas não deverá esquecer que as pessoas são seres dotados de sentimentos e que as relações humanas devem ser promovidas através da inclusão social.

Michael Jullier