Nossa evolução profissional

31/05/2014 16:09

Nossa evolução profissional

Trabalhar é algo inerente ao ser humano, desde os "tempos de Adão e Eva". Contudo, o problema é o modo como encaramos o trabalho diário. Estamos acostumados a, por exemplo, ouvir de várias pessoas que trabalhar não é bom, mas sim desgastante e o máximo que buscam da vida é chegar à aposentadoria.

Infelizmente, desde pequeno aprendemos que é ruim sir de casa cedo, é fazer algo que não gostamos e nos sentimos verdadeiros escravos. E não é muito difícil trazermos à nossa lembrança momentos em que os nossos pais, após um dia de trabalho, chegavam esgotados em casa, com cara de quem havia acabado de voltar de uma guerra e nós, enquanto crianças, perguntávamos: "Pai, mãe de onde vocês vieram?". E eles respondiam com uma fisionomia pior do que aquelas, nem de quando aprontavam as maiores traquinagens: "Do inferno! Viemos do inferno, filho!". É esse tipo de aprendizagem que tivemos.

Tudo começou na escola

Lá, na escola, também não foi diferente. Os professores sempre nos ensinaram que tudo o que teremos da vida será permeado por recompensa e castigo. Quando fizéssemos uma boa prova, seriamos agraciados com boa nota. Quando fossemos péssimos, teríamos que fazer uma nova prova e, muitas vezes, passaríamos pela famigerada recuperação.

Mas não é somente isso. Nas escolas nunca fomos incentivados a trabalhar em equipe, mas sim em grupos. Os professores criavam grupos, onde cada um tinha um interesse pessoal - tirar boas notas e, na maioria das vezes, juntavam aqueles com maior afinidade. E isso, hoje, reconhecemos que não é nada bom.

Não havia interesse em comum, o que caracteriza uma verdadeira equipe. Então, as escolas perderam a chance de transformar as pessoas em seres melhores, com maiores ambições e que teriam todo um cenário favorável para serem mais capacitadas. Trabalhar em equipe é o verdadeiro conhecimento, ou seja, é saber lidar com as diferenças.

Eu, com 33 anos, posso me colocar como participante de uma geração contemporânea e muitos dos que estão lendo este texto, também. Sua identificação com os primeiros parágrafos ocorreu porque muitos dos pais eram assim - achavam que ter um trabalho com carteira assinada era uma dádiva, algo dos deuses, ainda que fosse um trabalho exclusivamente braçal, onde as empresas precisavam de mão de obra, mesmo que eles não gostassem do que faziam.

Lógico que não devemos termos em nossas cabeças que somente deveríamos querer trabalhar com aquilo que gostamos ou que nos dê prazer, porque se assim fosse, não existiria o mundo que conhecemos. Quem, em sã consciência, gostaria de ficar o dia inteiro limpando um prédio de 40 metros de altura, pendurado em uma corda ou retirando veneno de cobras para fabricação de remédios e vacinas?

Hoje as empresas não querem e nem querem só isso, já que a maioria das coisas que antes era feita pela mão do homem, hoje é melhor e mais rapidamente realizada pelas máquinas. Para que uma empresa sobreviva no mercado atual, com a rapidez das inovações tecnológicas e a mudança do perfil do consumidor essa visão deve mudar, para que elas não sejam, literalmente, engolidas por aquelas que já entenderam isso.

O maior capital: você!

Isso mesmo, o bem mais valioso de uma empresa, seja ela pequena, média ou grande é o ser humano e o conhecimento que ele detém. Por mais avançadas que sejam as máquinas elas não pensam, não criam e não entendem os desejos dos clientes da empresa, isso é nosso: do ser humano.

Saber valorizar os funcionários, dando-lhes meios físicos e psicológicos de trabalho é fundamental e o maior exemplo que temos é a empresa Google, onde as pessoas podem criar o seu ambiente, levando para a organização coisas pessoais como, por exemplo, aquários, enfeites e para que os mais conservadores que estão lendo esse texto caiam de suas cadeiras: até seus bichos de estimação. Imagine você, trabalhando agora, podendo estar com seu bichinho embaixo da sua mesa. Seria legal né?

Mas eles não fazem isso porque são bonzinhos, mas sim porque perceberam que no mercado em que atuam, o da tecnologia, tudo acontece muito rápido e é necessário estimular a criatividade de maneira ininterrupta, para que todos trabalhem com o poder de inovação à flor da pele, fazendo uso das ideias. Mas em muitas empresas isso não corre.

Uma história de insucesso

Como exemplo contarei em breves linhas a história da Kodak que diferente do que muitos pensam, não é uma empresa japonesa, mas sim americana e que durante décadas teve sua sede em Rochester, Nova Iorque e foi fundada por George Eastman e Henry A. Strong. Ao longo de décadas a Kodak foi líder absoluta no segmento de filmes fotográficos com 80% do mercado e, de uma hora para outra, se viu ruir com o lançamento da tecnologia digital.

Por incrível que pareça, 25 anos antes do lançamento da imagem digital, a Kodak já tinha inventado as câmeras que quase a levaram à falência. O problema principal foi que seus diretores, por acharem que em "time que estava ganhando não se mexia", resolveram engavetar a ideia, e isso não deu certo.

A empresa, sempre investiu em novas tecnologias, tendo sido durante anos a maior detentora de patentes no cenário mundial, mas não fazia uso das ideias, muitas vezes colocando-as de lado e, em outras, licenciando para seus concorrentes.

Muito provavelmente, essa postura diretiva deu-se por entenderem, com base naquela educação que hoje não tem mais espaço e por não valorizarem as boas ideias, que do jeito que estava, permaneceriam sempre na liderança.

Nós como gestores

A cada dia de trabalho, devemos ser gestores de nossas carreiras e atividades, ou seja, é o que hoje podemos chamar de funcionários empreendedores. As empresas que podemos chamar de bacanas, querem isso: que sejamos gestores das nossas carreiras e que não imaginemos que a organização é quem deverá fazer isso por nós. Devemos querer, diariamente, fazer o melhor trabalho possível, para que sejamos vistos, para que ganhemos visibilidade, consequentemente, valhamos mais.

Nas empresas nós não valemos por nossa importância, valemos sim por nossa raridade, pela capacidade de inovar, criar desejos e sentimentos. Devemos cuidar do nosso microcosmo profissional como algo único e que merece o devido planejamento e atenção.

O cenário já começou a mudar

As empresas que chamei de bacanas já perceberam a mudança de perfil do novo consumidor e a necessidade que vai além de vender produtos, vender desejos e sentimentos. Durante muitos anos as pessoas pensavam que os melhores produtos eram aqueles que duravam mais, hoje o cenário mudou.

Uma empresa do ramo de calçados que hoje, por exemplo, faça sapatos que durem muito tempo rapidamente vai falir, porque as pessoas comprarão um, no máximo dois pares. Por quê? Porque durante anos, as pessoas não comprarão um só par de sapatos porque duram demais!

Você leitor, imagine sua mulher ou namorada com um sapato que dure muito tempo. Rapidamente ela não vai nem querer olhar para o sapato e provavelmente ainda dirá: "Peguei raiva deste sapato, essa porcaria dura demais".

Outra situação me ocorreu e esta é para aqueles que têm minha idade e que, muitas vezes, foram com os pais ao posto de gasolina para abastecer os veículos e que certamente vão se lembrar que este era um passeio bem rápido, mas que valia para sair de casa, já que lá só se vendia combustível e coisas para carro, não era? Mas, hoje você vai até um posto e pode comprar carvão, carne, cigarro, bebidas, brinquedos, pilhas, revistas, livros, salgadinhos e acreditem vocês, até combustível. E em muitas cidades os postos viraram até point dos jovens.

Nos comerciais a coisa não é diferente temos marcas em que a dona de casa está lavando roupa e chega uma repórter, batendo na porta para entrevistar a coitada que está se matando no tanque, toda descabelada. Que mulher quer isso para sua vida? Agora, o comercial de outra marca coloca a mulher com uma bonita roupa, toda produzida e até com colar de pérolas fazendo o mesmo trabalho. Com qual delas as consumidoras mais se identificarão? A segunda, claro, pelo desejo de se sentir bem ao ter que fazer as tarefas de casa, isso que vende.

Por fim, fica a dica de quem, também, tem muito a aprender. Reconheça suas deficiências e procure melhorar, enalteça suas virtudes e seja feliz, sempre.

Por Mauricio Pegoraro