Dez dicas de leitura para qualquer época - Guia Veja

21/11/2011 19:55


1. Germinal: a obra-prima de Émile Zola descreve a vida de mineiros de carvão durante uma greve na França de 1860. A descrição idealizada da vida de Etienne e de sua paixão, Catherine, os seus esforços e os seus anseios por uma vida melhor transformam a leitura em algo fascinante. O leitor é transportado para um dos maiores cenários de batalha da Revolução Industrial e passa a compreender a origem dos movimentos trabalhistas de uma maneira como nenhum livro de história poderia ensinar.

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2. Fogo Pálido: não é tão conhecido quanto o perversamente divertido Lolita, também escrito por Vladimir Nabokov, mas deveria sê-lo. É um feito impressionante de imaginação e literatura, diferentemente de qualquer outra novela que eu conheço. É um poema épico, uma aventura sobre a misteriosa terra de Zembla e, acima de tudo, um quebra-cabeças: será que a personagem principal é insana?
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3. A Cabana do Pai Tomás: escrito por Harriet Beecher Stowe, autora nascida há exatos 200 anos. Trata-se do romance que tornou impossível para os Estados Unidos tolerar a escravidão por mais tempo. É uma leitura comovente, chorosa e uma janela para os pecados originais do país. É atualmente banida em algumas escolas por utilizar a palavra ‘nigger’ (termo para “negro” considerado pejorativo nos EUA), mas permanece uma fonte poderosa e esclarecedora sobre as dimensões da escravidão americana.

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4. As Vinhas da Ira: é o fabuloso relato de John Steinbeck sobre a luta de uma família de Ocklahoma durante a Grande Depressão. Tom Joad e família abandonam tudo o que possuem para tentar a vida na Califórnia, na esperança de tempos melhores, mas encontram o campo de jogo sempre inclinado contra eles. Com o país ainda se recuperando da Grande Recessão, esse parece ser o momento perfeito para conhecer o difícil trabalho de Tom.
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5. O Morro dos Ventos Uivantes: escrito por Emily Brönte, talvez seja a maior história de amor da literatura. Catherine precisa escolher entre a sua alma gêmea, Heathcliff, carente de educação e status, e o respeitável Edgard. As personagens resplandecem dolorosamente: elas são moldadas pelas pressuposições do século XIX sobre classe e dominação masculina, mas estão sujeitas a emoções humanas irrepreensíveis.
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6. Nosso Homem em Havana: comédia e suspense de espionagem de Graham Greene que pode parecer um pouco inculto para a lista. Mas duas lições que nunca aprendemos com a política externa americana é que nada sai como o previsto e que os furos de inteligência são sempre suspeitos. A história de Greene sobre um desafortunado espião em Cuba trabalha essas questões de modo inesquecível. O espião não possui nenhuma informação real para transmitir, então, ele começa a inventar histórias e, a partir daí, a trama torna-se mortal.
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7. Nada de Novo no Front: escrito por Erich Maria Remarque, este talvez seja o romance de guerra mais aclamado da história. Ele narra a história de um jovem e seus amigos de colégio que se alistam no exército alemão durante a Primeira Guerra Mundial e acabam descobrindo que a guerra não é algo glorioso, e sim um pesadelo tedioso.
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8. Os Miseráveis: clássico de Victor Hugo que conta a história de Jean Valjean, liberado da prisão por roubar um naco de pão para alimentar a família da irmã. Ele é constantemente perseguido pelo inspetor Javert através de uma narrativa poderosa, com cenas de caçada mais eletrizantes que qualquer uma dos filmes de James Bond. O livro também explora de forma sublime a temática de classes sociais, de justiça, de redenção e de misericórdia.
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9. Um Estranho Misterioso: não é o trabalho mais famoso de Mark Twain e não faz rir como O Príncipe e o Mendigo ou Um Yankee na Corte do Rei Arthur, mas é uma pequena história que se engalfinha com questões sobre Deus e o mal. É a narrativa de um anjo cruel que cai numa aldeia e provoca estragos. O anjo anima pequenas pessoas de barro e, em seguida, para o próprio divertimento, as destrói com uma tempestade, um incêndio e um terremoto. Como todo Twain, é um livro de leitura fácil, e, mais do que a maioria dos contos, faz pensar.
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10. Scoop: de Evelyn Waugh é uma análise divertida da imprensa marrom, focada num escritor de natureza que é despachado por engano para cobrir uma guerra na África. Qualquer um que tenha feito uma cobertura sobre o Iraque ou sobre o Afeganistão sabe que o assunto permanece relevante. E quem fizer a leitura do livro terá a noção do caminho incerto e muitas vezes pouco confiável através do qual a cobertura jornalística chega até o leitor.